Virgem e Mabon: o Mistério da Colheita Sagrada

O tempo gira e chegamos ao ponto de equilíbrio: Mabon, o Equinócio, quando o dia e a noite se tornam iguais, quando a luz e a sombra dançam em perfeita harmonia. É também a estação de Virgem, a Guardiã dos Campos, aquela que carrega em suas mãos a sabedoria da Terra e o cuidado com os frutos colhidos.

 

Virgem: a Sacerdotisa dos Grãos

 

Virgem não é apenas o signo da ordem e da análise — é o arquétipo da sacerdotisa que, no silêncio dos campos dourados, sabe separar o trigo do joio. Ela observa, purifica, organiza e consagra cada semente, sabendo que ali reside a promessa de vida futura.

É a presença da Deusa na forma de Deméter, Ceres ou das antigas donzelas da colheita, que ceifavam os grãos sob o sol do outono. Virgem nos ensina que a abundância precisa ser honrada com respeito e responsabilidade.

 

Mabon: o Portal do Equilíbrio

 

No Sabbat de Mabon, celebramos o ponto exato de equilíbrio entre luz e sombra. É o momento de agradecer pela fartura que recebemos, mas também de aceitar que o ciclo se curva para a escuridão — o inverno no Hemisfério Norte, o verão intenso no Hemisfério Sul.

 

É tempo de olhar para dentro, pesar as escolhas, recolher o que nutre e deixar cair o que já não serve. Assim como as folhas que se soltam das árvores, aprendemos a entregar ao vento aquilo que deve retornar à Terra.

 

O Mistério Agrícola

 

Na linguagem dos campos, este é o tempo de guardar os últimos frutos e sementes, de encher os celeiros e preparar os espíritos para o que vem adiante. Cada raiz colhida, cada grão armazenado é um símbolo do ciclo eterno: o que morre agora dará origem à vida no amanhã.

 

Virgem se entrelaça aqui, trazendo seu olhar minucioso: é preciso observar o que a Terra nos ensinou nesta colheita. Quais frutos amadureceram plenamente? Quais não resistiram? O que deve ser semeado de novo e o que deve ser transformado?

 

O Encontro de Virgem e Mabon

 

Quando Virgem e Mabon se encontram, nasce um portal de poder:

Gratidão pelas dádivas da Terra e do Espírito.

Entrega do que já cumpriu seu ciclo.

Preparação para o caminho que se abre diante de nós.

Equilíbrio entre o que guardamos e o que deixamos ir.

 

É um tempo de rituais de agradecimento, de oferendas aos deuses da colheita, de meditações para o equilíbrio interior. Acender velas em tons de dourado, marrom ou verde; preparar pães e vinhos; recolher folhas secas e frutos — tudo se torna símbolo da união entre o Céu e a Terra neste ponto sagrado do ano.

Virgem e Mabon nos recordam que a verdadeira magia está em colher com consciência, agradecer com devoção e confiar que cada fim traz em si a semente de um novo começo.