O fim de outubro e o início de novembro trazem um perfume inconfundível no ar.
As folhas caem, a luz do sol se torna mais suave e o vento sussurra histórias antigas — de morte, renascimento e mistério. É o tempo de Samhain, o Sabbat que marca o encerramento do ciclo agrícola e o início da metade escura do ano.
E não por acaso, esse período coincide com a temporada astrológica de Escorpião, signo de profundezas, transformação e renascimento.
Outono, Escorpião e Samhain se entrelaçam em um mesmo arquétipo: o da morte que prepara a vida.
O Sol em Escorpião: mergulho nas profundezas
Regido por Marte (na astrologia tradicional) e Plutão (na moderna), Escorpião representa o poder de transformação que nasce do confronto com a sombra.
É o signo que não teme o fim — porque sabe que toda morte carrega o germe do recomeço.
Durante essa temporada, o Sol ilumina o invisível: emoções reprimidas, desejos secretos, lembranças adormecidas.
Escorpião é o mergulho nas águas profundas da alma, onde encontramos o que é preciso libertar, curar e transmutar.
Não é um signo de destruição — mas de regeneração.
Aquilo que apodrece, serve de adubo.
Aquilo que morre, prepara o solo para o renascimento.
O Outono: a morte bela da natureza
O outono é o espelho natural da energia escorpiana.
A terra exala o último calor antes do frio, e tudo começa a recolher-se para dentro:
as árvores soltam suas folhas, os dias encurtam, o mundo parece se despedir lentamente da luz.
Essa estação nos ensina a soltar o que já cumpriu seu papel, assim como as árvores deixam cair o que não precisa mais carregar.
É um tempo de aceitação, de compreender que o ciclo da vida inclui a quietude, o recolhimento e o descanso.
O outono fala da beleza da impermanência — e de como há vida mesmo naquilo que parece estar morrendo.
Samhain: o Sabbat da travessia
Celebrado na noite de 31 de outubro, o Samhain (pronuncia-se “Sôuin”) é o antigo festival celta que deu origem ao Halloween.
Era o momento em que se acreditava que o véu entre os mundos — o dos vivos e o dos mortos — se tornava mais tênue.
As fogueiras eram acesas para proteger as aldeias e iluminar o caminho dos espíritos.
Os vivos honravam seus ancestrais, lembrando que a morte é apenas uma passagem.
Samhain marca o fim da colheita, o fechamento de um ciclo e o início do inverno espiritual.
É o Ano-Novo das Bruxas, o tempo de rever, soltar, transformar — tudo aquilo que Escorpião, com sua intensidade e mistério, representa no zodíaco.
Quando os símbolos se unem
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Escorpião é o signo da transmutação, do poder que nasce da morte simbólica.
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O Outono é a paisagem do desapego, onde a natureza ensina a soltar.
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Samhain é o ritual da passagem, onde o mundo visível encontra o invisível.
Juntos, eles formam um portal energético poderoso:
um convite para olhar para dentro, reconhecer as sombras e permitir que o velho dê lugar ao novo.
É um tempo para honrar os ancestrais, revisitar o passado, acender velas para o que precisa partir e abrir o coração para o que está por vir.
Um pequeno ritual de Escorpião e Samhain
✨ Acenda uma vela (de preferência preta, roxa ou laranja).
✨ Escreva em um papel o que você deseja deixar para trás — dores, padrões, lembranças.
✨ Queime-o com cuidado, visualizando essas energias se transformando em luz.
✨ Agradeça aos seus ancestrais, à Terra e ao ciclo que se encerra.
✨ Respire fundo. O novo já começa a brotar.
Escorpião, o outono e Samhain são faces de um mesmo mistério:
a transformação.
Cada folha que cai, cada noite que se aprofunda, cada silêncio que cresce — tudo fala da alma que aprende a morrer para poder renascer.
E é nesse ciclo eterno que encontramos o poder mais profundo da magia: a vida que nunca cessa, apenas muda de forma.
